07 Janeiro 2010

No primeiro post do ano...


Circle



*Para lembrar da minha janela no Santa Alice, na Rua da Aurora, em 1989.

30 Dezembro 2009

Perfeição

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

28 Dezembro 2009

...

El Desdichado

Eu sou o tenebroso, o irmão sem irmão,
O abandono, inconsolado,
O sol negro da melancolia

Eu sou ninguém, a calma sem alma que assola, atordoa e vem
No desmaio do final de cada dia

Eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
O Samba-sem-canção, o Soberano de toda a alegria que existia

Eu sou a contramão da contradição
Que se entrega a Qualquer deus-novo-embrião pra traficar
O meu futuro por um inferno mais tranquilo

Eu sou Nada e é isso que me convém
Eu sou o sub-do-mundo e o que será que me detém?

Eu sou o Poderoso, o Bababã,
O Bão! Eu sou o sangue, não!
Eu sou a Fome! do homem que come na brecha da mão de quem vacila

Eu sou a Camuflagem que engana o chão
A Malandragem que resvala de mão em mão
Eu sou a Bala que voa pra sempre, sem rumo, perdida

Eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
Eu sou o Morro, o Soberano, a Alegoria que foi a minha vida

Eu sou a Execução, a Perfuração
O Terror da próxima edição dos jornais
Que me gritam, me devassam e me silenciam.

Lobão

26 Dezembro 2009

...



















Enquanto alguns se preparam para as festas, dedico as horas para essas palavras.
Desafio a tristeza a não ser troféu de uma vida inteira, mas diante da cadeira vazia ou do frio infantil das cobertas, recordo que nunca saí daqui, que verdadeiramente a dor nunca me abandonou. Apenas arrasto o corpo durante anos, divido esperança em vidas que não são minhas e recebo de volta o silêncio.
Meu coração dói como a primeira vez que fiquei na chuva. O que procuro nesses últimos meses é o laço que não abracei com o amor. Tento todos os dias acreditar que tudo pode ser diferente. Tento e tento, mas esse infinito de coisinhas estúpidas vence a simplicidade de todos os versos.

Até quando a persistência jogará dados com a loucura?


Tela : Raízes de Frida Kahlo

24 Dezembro 2009

Para todos....

Sir. Paul

23 Dezembro 2009

Pop pra matar a saudade...

22 Dezembro 2009

Imunização Racional

20 Dezembro 2009

Brittany Murphy 1977-2009




19 Dezembro 2009

Time



Time, flowing like a river
Time, beckoning me
Who knows when we shall meet again If ever
But time, keeps flowing like a river... to the sea
Goodbye my love, Maybe for forever
Goodbye my love, The tide waits for me
Who knows when we shall meet again If ever
But time, keeps flowing like a river (on and on)
To the sea, to the sea
Till it's gone forever
Gone forever
Gone forever more
Goodbye my friends, Maybe for forever
Goodbye my friends, The stars wait for me
Who knows where we shall meet again If ever
But time, keeps flowing like a river (on and on)
To the sea, to the sea
Till it's gone forever
Gone forever
Gone forever more

18 Dezembro 2009





















Devo agradecer a cada abraço, a cada sorriso, a tudo que deu certo, a tudo que deu errado, a todas as promessas cumpridas, a todas metas arremessadas na merda, a todo delírio, a todo fracasso...

Devo entender que tudo foi bem vindo, tudo foi no seu momento certo, na sua glória imediata, na sua cruz erguida... Devo acreditar na vida e brindar a simplicidade dos que são e a agonia dos que teimam ...

Acima de tudo devo ser fiel a quem foi fiel em seus sentimentos, a quem foi ao inferno e ao paraíso e até a quem quase chegou no deserto, pois no fim em algum momento comunhamos da mesma fome...

Devo prosseguir com as pedras arremessadas no telhado e para cada uma delas contar os dias de luta e descanso.

Devo apagar a luz, o desprezo e as dívidas que não fiz mas fui avalista. E para quem de fato magoei desejo fortunas legítimas.

Devo ignorar o amém para as piadas de mau gosto, a absoluta falta de consideração, a covardia... Mas ergo minha bandeira pela clareza de quem não renegou a palavra e reafirmo minha esperança na amizade.

Sobretudo devo me banhar em águas novas e me alimentar do verdadeiro blues de cada dia...

Graças a Deus desistir não faz sentido. Para quem quer o sucesso: liberdade e amor não se encontram em qualquer esquina.

Lute por isso.


* Fechando o ciclo de um 2009 extremamente enriquecedor....

17 Dezembro 2009

...


Direção: Peter Sollett.

15 Dezembro 2009

Pretérito imperfeito





















O que me salva, o que me move, o que me devora, o que me assombra.
O que me engole, o que me envolve, o que não se perdoa...
Os dias que sobrevivo ao sol, os dias que espero a canção perfeita
Há sempre mais nesse abismo entre o inferno e a persistência
Saudades com abraços sinceros para os donos do castelo.



*Post dedicado para quem não está mais por aqui e mesmo assim se faz tão presente nessas pedras rs... Bons tempos quando bebiámos do mesmo vinho rs.

11 Dezembro 2009

Não é mera coincidência rs...



Eu tô tentando largar o cigarro
Eu tô tentando remar meu barco
Eu tô tentando armar um barraco
Eu tô tentando
Não cair no buraco...
Eu tô tentando tirar o atraso
Eu tô tentando te dar um abraço
Eu tô penando
Prá driblar o fracasso
Eu tô brigando
Prá enfrentar o cagaço...
Eu tô tentando ser brasileiro
Eu tô tentando
Saber o que é isso
Eu tô tentando ficar com Deus
Eu tô tentando
Que Ele fique comigo...
Eu tô fincando meus pés no chão
Eu tô tentando ganhar um milhão
Eu tô tentando ter mais culhão
Eu tô treinando prá ser campeão...
Eu tô tentando
Ser feliz (Ser Feliz!)
Eu tô tentando
Te fazer feliz...(2x)
Eu tô tentando entrar em forma
Eu tô tentando enganar a morte
Eu tô tentando ser atuante
Eu tô tentando ser boa amante...
Eu tô tentando criar meu filho
Eu tô tentando fazer meu filme
Eu tô chutando prá marcar um gol
Eu tô vivendo de Rock'n Roll...
Eu tô tentando
Ser feliz (Ser Feliz!)
Eu tô tentando
Te fazer feliz...

George Israel / Paula Toller

Pretty Pink ou A GAROTA DE ROSA-SHOCKING

...

10 Dezembro 2009

Uns




























Uns

Uns vão
Uns tão
Uns são
Uns dão
Uns não
Uns hão de
Uns pés
Uns mãos
Uns cabeça
Uns só coração
Uns amam
Uns andam
Uns avançam
Uns também
Uns cem
Uns sem
Uns vêm
Uns têm
Uns nada têm
Uns mal
Uns bem
Uns nada além
Nunca estão todos
Uns bichos
Uns deuses
Uns azuis
Uns quase iguais
Uns menos
Uns mais
Uns médios
Uns por demais
Uns masculinos
Uns femininos
Uns assim
Uns meus
Uns teus
Uns ateus
Uns filhos de Deus
Uns dizem fim
Uns dizem sim
E não há outros


Caetano Veloso

09 Dezembro 2009

Bons tempos...



You're beautiful, that's for sure
You'll never ever fade
You're lovely but it's not for sure
I won't ever taste
And though my love is rare
Though my love is true
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(and baby all I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(All I need for you to know is)
Your faith in me brings me to tears
Even after all these years
And it pains me so much to tell
That you don't know me that way
And though my love is rare
And though my love is true
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(and baby all I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(All I need for you to know is)
It's not that I wanna say goodbye
It's just that everytime you try to tell me, me that you love me
Each and everysingle day I know
I'm going to have to eventually give you away
And though my love is rare
And though my love is true
Hey I'm just scared
That we may fall through
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(and baby all I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(All I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(and baby all I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(All I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(and baby all I need for you to know is)
I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is
(All I need for you to know is)

Nossa Senhora da Conceição e o azul piscina



























Lentamente dos vasos brotam as raízes e da janela a poeira ergue-se sobre o asfalto... Nos olhos do menino nascem meteoros e estrelas. Os sorrisos já não são os mesmos e as sombras brincam com o vermelho delicado do natal. Sem hora certa o café está na mesa e o retrato 3x4 esquecido nas gavetas... Na tv, a atriz não me diz nada em seu discurso-comercial-perfume-mais-que-perfeito.
Que dia estranho para Virgem Maria, para o encanto discreto do menino lambendo o picolé azul-piscina.

Meu filho ainda proclama: 100 mil pessoas do bem para cada demônio
Diante de nós os cães envelhecem e já não enxergam o próprio rabo.... A vida é assim no verão que encolhe a pele e desafia a tristeza indelicada da morte.
Amanhã é quarta-feira dia de briefs e trilha sonora retumbante. Aviso aos descrentes : O tempo não pará no azedo infeliz da manga rosa estragada. Quem manda é "Sr. Jesus" com suas poções mágicas.
Façam suas apostas, mas a esperança ainda é a cura para todos os demônios....




obs: texto baseado em uma conversa com João Pedro e dedicado aos amigos que estão perto de "Papai do Céu".

Tela " Meteoro na era Jurássica" de João Pedro


Agalopado



























Quando eu canto o seu coração se abala
Pois eu sou porta-voz da incoerência
Desprezando seu gesto de clemência
Sei que meu pensamento lhe atrapalha
Cego o sol seu cavalo de batalha
E faço a lua brilhar no meio-dia
Tempestade eu transformo em calmaria
E dou um beijo no fio da navalha
Pra dançar e cair nas suas malhas
Gargalhando e sorrindo de agonia
Se acaso eu chorar não se espante
O meu riso e o meu choro não têm planos
Eu canto a dor, o amor, o desengano
E a tristeza infinita dos amantes
Don Quixote liberto de Cervantes
Descobri que os moinhos são reais
Entre feras, corujas e chacais
Viro pedra no meio do caminho
Viro rosa, vereda de espinhos
Incendeio esses tempos glaciais

Alceu Valença


Tela de Magritte

08 Dezembro 2009

Não esquecendo a data de hoje

29 anos sem John Lennon

Qualquer semelhança com uma música POP não é mera coincidência rs


























Desejo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de
pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é
insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Victor Hugo




Tela:Xul Solar.Paisaje (Cingo Pagodas) 1949

07 Dezembro 2009

...

Se a vida fosse sempre assim...

06 Dezembro 2009

The Blind Side

...

Não precisa dizer mais nada...



Erik Satie

05 Dezembro 2009

Litania



























Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos – um poço fitando o Céu.

Bernardo Soares (Fernando Pessoa)




Tela:Wassily Kandinsky,Improvisation 31 (Sea Battle)

04 Dezembro 2009

O Teatro Mágico

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem


De ontem em diante
Composição: Fernando Anitelli